Abandono da estação ferroviária preocupa moradores; Prefeitura promete reforma

Tudo começou em 31 de março de 1936, foi nessa data a inauguração da Estação Ferroviária de Mirandópolis. Em 1940, a estação passou a integrar a linha-tronco da Noroeste. A partir de então, os trens percorreram o trecho, vindo de Bauru e seguindo em direção a Mato Grosso, e vice-versa durante décadas, transportando pessoas, cargas, combustível, máquinas e gado.

Arquivo: Placa da inauguração

São muitas histórias envolvendo a estação, sendo uma das mais famosas acontecendo em dezembro de 1946, que foi o descarregamento e uma grande explosão de um vagão que estava parado no pátio com formicida e tubos de oxigênio. Ainda uma cidade pequena na época, com pouco mais de mil residências, o acidente causou duas mortes e mais de 80 feridos.

Segundo o livro ‘Mirandópolis, sua evolução no século XX’, de Alcides Falleiros, em 1957, a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil passou a integrar a Rede Ferroviária Sociedade Anônima (REFESA), mas continuou com a mesma prestação de serviços à comunidade. Mas não demorou para os trens perderem espaço para as linhas de ônibus, que começaram a transportar passageiros com maior segurança, rapidez e conforto, pelas rodovias que foram abertas. Também o transporte de gado passaria a ser feito por caminhões, pela facilidade de carregar os animais dentro das propriedades.

Atualmente como está a “bilheteria”

Em 1995, o transporte de passageiros foi desativado de vez, sendo que no ano seguinte a linha passou a pertencer a Rede Novoeste, com a função de só transportar carga. A linha ainda não foi totalmente desativada, os trens cargueiros passam quase que diariamente, pelos trilhos da nossa velha Estação Ferroviária, transportando combustível e máquinas.

Porém, hoje a história da estação se encontra em completo abandono. Segundo Dinho Resler, um dos fundadores do Bosque Gentileza que fica do lado da Estação Ferroviária, o sonho seria uma reforma da estação para ocupação diária de jovens e até locação de repartições públicas. “Foi aqui na estação que a cidade nasceu. Gostaria de ver uma revitalização do local e até alguns departamentos do município, principalmente Cultura e Esporte, isso traria redução de custos e uma grande movimentação de pessoas. Acredito que poderia também ter um Museu de Mirandópolis, mesmo que simples, mas ter algo nesse sentido”, explica Resler.

Bosque Gentileza: Dinho Resler e João Pereira

Dinho comentou que seu trabalho no Bosque Gentileza começou em 2004 com a realização de um Sarau, em parceria com o Município, dentro da própria estação ferroviária. Na sequência, ele já iniciou o plantio de mudas nas proximidades do local e criou (em conjunto com algumas outras pessoas) o Bosque Gentileza. “Já plantamos mais de 500 mudas, hoje temos mais de 166 espécies de árvores que ficam do lado da estação, ainda tenho muita esperança que esse local será revitalizado”, revela Resler. Atualmente, Dinho conta com ajuda do João Pereira.

AGORA NA REGIÃO foi ouvir a Prefeitura Municipal de Mirandópolis.

Segundo a Prefeitura, uma reforma no prédio já está programada para os próximos dias após a celebração de um convênio com a União, por intermédio do Ministério do Turismo, e o Município de Mirandópolis.

O custo total da obra será de R$ 250.558,67, sendo R$ 243.750,00 oriundo de repasse do Ministério do Turismo – através da emenda parlamentar ex-deputado federal Evandro Gussi (PV) em 2017 – e R$ 6.808,67 de contrapartida da Prefeitura.

Ainda de acordo com a Prefeitura, no início desta semana saiu a primeira parcela do recurso (R$ 50.111,73) equivalente a 20% do valor total da obra e na terça-feira, 21 de maio, a Caixa Econômica Federal emitiu a autorização de início de obra.

O próximo passo, segundo o governo municipal, é convocar a empresa vencedora da licitação para, em seguida, o departamento de Obras emitir ordem de serviço para execução.

A reforma consiste em uma área de 836,12 metros quadrados. O prazo de execução da obra é de 120 dias após a emissão da ordem de serviço, podendo ser prorrogado pelo mesmo período, caso haja atraso na liberação e nos repasses das parcelas pelo Governo Federal.

AGORA NA REGIÃO apurou que dentre os serviços que serão realizados na antiga Estação Ferroviária estão a construção de quatro banheiros (incluindo dois para acessibilidade), instalação de rede hidráulica e elétrica, troca do piso e telhado, instalação de forro tipo PVC, pintura, entre outros.

Mesmo sem passar por uma reforma, a Prefeitura chegou a utilizar o local em 2017 quando realizou o 1º Festival de Anime, Games e Cultura Pop Oriental. Na ocasião, foram arrecadadas duas toneladas de alimentos com o evento.

AGORA NA REGIÃO